Mostrando postagens com marcador Religião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Religião. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Porque não Debater Sobre Religião?

Tenho me perguntado muito se existe uma razão para as pessoas não debaterem religião. Antes de mais nada, acredito mesmo que existe uma religião que é a melhor para cada indivíduo neste momento em que ele vive, mesmo que seja não ter religião.


A minha religião é a compreensão, é a busca pela verdade, não importa qual seja ela. Não consigo conceber outra coisa que não seja isso: ir atrás da realidade. Por isso, tento incançavelmente debater com colegas das mais diversas religiões, mas tenho pouco sucesso nas tentativas. As pessoas se recusam e quando se permitem fazer, se ofendem facilmente.

O debate só irá te fazer cada ver melhor, a cada um você terá mais conhecimento. Isto só irá te enfraquecer a fé se você não conhecer o suficiente dela. Se não conhece o suficiente, será que realmente acredita? Eu realmente acredito na frase ''Fé inabalável é aquela, capaz de enfrentar a razão, em qualquer época da humanidade ''. E para mim não basta ter fé, eu preciso compreender.

Compreender não é negar. Eu posso aceitar algo que ainda não compreendo, mas não posso aceitar algo que eu já compreendo não ser possível. Por isso acredito na existencia de Deus, apesar de não conseguir compreender essa existência ainda. Antes a minha atitude era a outra. Eu negava o que não compreendia. Pode ser que mais tarde, eu compreenda que Deus não existe. E se eu compreender isso, se essa conclusão for inevitável, que seja então.

Se ninguém questionasse, ninguém debatesse, nunca teríamos nos desenvolvido intelectualmente e moralmente. Isso só acontece quando existe discordância e troca de opiniões.

Alguns só não querem pensar na possibilidade de estarem errados, outros não querem nem correr o risco de ver sua fé desmoronando. Acham que se isso acontecer, terão feito tudo em vão na vida. Deve ser difícil imaginar que toda a base que guiou sua vida pode estar errada. Mas quem disse que o que passou foi a toa? Não foi, te levou a algum lugar. Foi o seu caminho para chegar onde você está.

Você pode achar que eu estou me referindo aos católicos, mas me refiro a todos. Os ateus também são assim. Se recusam a estudar porque podem ter que vir a acreditar. E os crentes fazem da mesma forma. Se recusam a estudar e debater porque podem ter que vir a desacreditar em tudo que acreditaram. Ambos preferem não saber a verdade, não pensar sobre a verdade, porque se a descobrirem, terão que mudar. O homem tem medo da mudança.

A falta de debate leva ao extremismo e às piores épocas da humanidade. Devem existir muitos outros motivos para não se falar sobre religião. Eu fiz o blog basicamente para isso. E você? Qual é o seu motivo?

terça-feira, 1 de março de 2011

A Bíblia não é Mais a Mesma

Professor de Ciências das Religiões encontra erros nas traduções bíblicas que alteram o sentido dos ensinamentos sagrados

por Daniel Amador

Nordestino de Alagoas-Grande (PB), Severino Celestino da Silva saiu de casa aos 13 anos com um pedaço de pão no bolso para procurar emprego na capital, João Pessoa. Sabia a missa decorada em latim e, por isso, conseguiu vaga para ser coroinha. Era a garantia de uma refeição por dia. Convidado pelo bispo local, foi para um seminário aprender o ofício de padre, mas foi expulso por não ter como pagar. Dormiu na rua e foi trocador de ônibus, mas nunca parou os estudos. Aos 18, passou no vestibular de medicina da Universidade Federal da Paraíba, (UFPB). Sem ter como comprar os livros, trancou a faculdade e foi para São Paulo tentar ganhar dinheiro. Trabalhou durante nove meses em uma loja de tecidos, juntou o suficiente e voltou para João Pessoa, onde trocou a faculdade de medicina pela de odontologia. Formado, deu aulas para se sustentar durante o mestrado e o doutorado em odontologia e cirurgia bucomaxilar.
Sempre interessado pelas religiões, estudou grego, hebraico e aramaico. É doutor em teologia e dá aulas de judaísmo, islamismo, cristianismo e espiritismo no curso de doutorado em Ciências das Religiões da UFPB. Identificou erros importantes de tradução e interpretação nas traduções bíblicas para o português. O estudo gerou o livro ?Analisando as Traduções Bíblicas?, da Editora Idéias. Erros como o do popular Salmo 23 e alterações deliberadas no texto que chegam a condenar outras religiões.

Ao pegar uma Bíblia para ler, posso confiar no que estou lendo?

Lamentavelmente não é confiável. Eu trabalho há 42 anos procurando a essência das mensagens bíblicas. Tenho 22 bíblias em português, além das traduções em grego, hebraico e latim e existem diferenças marcantes de uma bíblia pra outra, algumas conflitantes.

No Salmo 19, versículo 8, por exemplo, temos as seguintes traduções: "A lei do senhor é perfeita, reconforta a alma", "A lei do senhor é perfeita, refrigera a alma", "A lei do senhor é perfeita e faz a vida voltar", "A lei do senhor é perfeita, dá a vida", "O ensinamento do senhor é perfeito, dá a respiração".

No original em hebraico está escrito: "O ensinamento (ou revelação) de Deus...", Javeh é a palavra. E significa Deus e não senhor. Foram os tradutores gregos que incluíram a palavra senhor no lugar da palavra Deus. "...porque promove o retorno do espírito". E esse é só um exemplo.

Tem o salmo 23 que é belíssimo e todo mundo conhece. Ele diz: "O Senhor é meu pastor e nada me faltará."

Essa é a tradução que todo mundo conhece, mas o que o rei David disse foi "O Senhor é meu pastor e não me faltará". Ou seja, Deus não vai nos dar coisas materiais, mas o sentido correto é que Deus nos acompanha sempre. E assim vai. Do Gênese ao Apocalipse tem erros como esse.

Esses erros são apenas de tradução ou de interpretação também?

Ambos. Quando eu finalizo um trabalho, peço o crivo de um especialista em hebraico para verificar se minha tradução não foi equivocada e, dentro da lingüística hebraica, faço as correções necessárias.

Mas a maioria da população não conhece o hebraico. Existe alguma tradução mais próxima da original?

Sim. Existe uma bíblia chamada "A Bíblia de Jerusalém", que é uma tradução feita por católicos e protestantes. Ela, em quase sua totalidade é fiel ao texto original. E é interessante porque contém todos os livros dos três tipos de bíblias conhecidas: a judaica, a católica e a protestante, ou seja, ela é uma bíblia, além de melhor traduzida, mais completa.

Existe algum desvirtuamento proposital nas traduções, algo que é uma modificação e não um erro de interpretação?

Infelizmente sim. A maioria das religiões atuais adapta suas traduções para suas crenças. A mais surpreendente para mim foi a supressão do que os judeus chamam de transmigração das almas. O profeta Malachias disse que Elias haveria de voltar. Jesus, por sua vez, disse que dentre os filhos de mulher (a decendência religiosa para os judeus vem pela mãe, então a expressão filhos de mulher significa judeus) não houve nenhum maior que João e que ele era o Elias que haveria de voltar. A maioria das traduções modifica essa passagem.

No Gênese, a tradução original é "E Deus criou o Homem...", dando o sentido de humanidade e não um homem que antecedeu uma mulher. E continua com "...e lhe deu um sopro de vidas" no plural, porque a palavra haim no hebraico não possui singular. É a mesma usada por David no salmo 23 quando diz "Bondade e benevolência nos seguirão todos os dias das minhas vidas" com o mesmo haim, no plural. Então, o princípio de que temos várias vidas, como os judeus acreditam, está textualmente na Bíblia.

Mas em muitas religiões essa é uma idéia atribuída a Satanás.

Interessante falar nisso. Em hebraico a palavra satã significa tão somente alguém que se opõe a uma idéia. Nada de figuras de chifres e rabos, apenas opositores. Se sou flamenguista e você vascaíno, e os times se enfrentam, somos o satã um do outro naquele momento.

E Lúcifer?

Pura fantasia. No livro de Daniel 14:12 é onde está a profecia da queda do rei Nabucodonosor. Lá está escrito que a estrela luz filha da manhã cairá, e a partir daí surgiu a fantasia ou a lenda de que era um anjo do céu que se rebelou contra Deus.

Mudando um pouco de assunto. O que fazer nos dias de hoje? Devemos, ao ler a Bíblia, analisar os textos literalmente e seguir, para os que crêem, literalmente?

De forma alguma. É preciso, ao ler o texto bíblico, avaliar três pontos básicos. Quando, para quem e por que foi escrito. É preciso contextualizar, entender a história daquele povo e o que vivia naquele momento. Mas isso não diminui os ensinamentos, há o que os judeus chamam de sentido midrástico, que é contar uma história e nela conter os maiores ensinamentos necessários, e que atravessa os tempos, pois diz respeito à humanidade. É o que Jesus fazia.

Esses equívocos de tradução e interpretação influenciaram na evolução da humanidade? Atrapalham?

O mais importante é que a Bíblia é um livro de conduta, um livro de moral. Não condena ninguém, nem nenhum grupo tal ou qual. Então mesmo alguns desvios causados pela interpretação literal são menos importantes que o ensinamento moral. E o principal ensinamento, a meu ver, é que podemos amar uns aos outros apesar das diferenças.

E qual o caminho?

A Torá e o Talmud dizem que o universo se sustenta em três bases. O ensinamento divino (amor), a justiça e a paz. Se o mundo buscasse esses três conceitos a gente iria se entender perfeitamente. Amor, justiça e paz. Precisa de religião pra isso?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Eu Acredito em Deus?

Eu decidi escrever este texto depois de receber alguns tweets de um colega de Internet e eu reparei que ele é muito parecido como eu era a algum tempo atrás. Ele tem uma crença inabalável na não existência de Deus, mas eu acho que acreditar ou não acreditar em Deus depende do "conceito de Deus" (meu ex-professor de lógica ia adorar isso)

Eu acredito em Deus?

"NÃO" é a primeira e mais provável resposta que eu daria se me perguntassem isso.

"SIM" é a resposta que eu daria na minoria das vezes.

A minha resposta depende quem você é, e no que você acredita. Isso quer dizer que eu não tenho opinião? Não é bem isso. Eu preciso responder à pergunta que me foi feita.

Eu diria não se você me perguntasse se eu acredito no Deus Pessoa, aquele que criou o mundo em 7 dias e que tem vontades pessoais, que aplica punições, que decide se você vai pro Céu ou pro Inferno, aquele que pode ser personificado, que pode ter uma imagem. Que até tem boca, olhos e cabelos. A resposta é NÃO. Se isso é Deus para você, então me considere ateu.

Se Deus para você é aquilo que existe, sempre existiu e sempre existirá. É aquilo que já existia antes de existir a matéria, aquilo que deu origem ao Universo, aquilo que é a ligação entre todas as coisas existentes. Aquilo que está além da nossa compreensão. A mente primordial, então a resposta é SIM.

Eu entendo que as religiões existentes na Terra neste momento, na maioria, deturparam o sentido do que seria Deus. Eles (pessoas) dão a interpretação que querem a textos antigos e as pessoas aceitam sem questionar. E até quem questiona a existencia de Deus usa a mesma interpretação que essas pessoas fornecem. As pessoas que divulgam esse conceito de Deus, no geral, são pessoas pouco esclarecidas em relação ao assunto.

Eu já fui fervorosamente ateu, até me deparar com um conceito que eu não conhecia. Minha opinião se baseava em um conceito que eu havia recebido de minha família, professores e amigos. Aquele conceito era insustentável, cheio de contradições e me deixava irritado. Queriam (insconscientemente) me empurrar goela abaixo, mas minha mãe e meu pai (também insconscientemente), me deixaram escolher meu caminho.

O conceito do TODO me pareceu sustentável, me pareceu lógico. E eu tive trabalho para tirar aquela fervorosidade de dentro de mim para depois começar a analisar um novo conceito para ver se eu o aceitaria ou não. Ir contra o pensamento formado que eu tinha foi o mais difícil.

E ai, você acredita em Deus?