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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Na Luta Contra o Aborto? Já Pensou em Facilitar a Adoção?

Vejo muita gente tentando dificultar ainda mais a questão do aborto no Brasil. Abortos acontecem a todo momento, em muito maior número do que imaginamos e essas pessoas imaginam que uma legislação mais dura irá resolver o problema, mas solução pode estar do outro lado, incentivando e melhorando o processo de adoção. Se você não quer fetos morrendo, lute para facilitar a adoção.

Temos legislação para punir todos os tipos de crime no Brasil, mas os crimes continuam acontecendo sem parar e bandidos continuam livres. É quase impossível contar a quantidade de notícias que demonstram reincidência em assaltos, assassinatos e coisas assim. É inocência achar que uma lei mais dura vai impedir mulheres desesperadas de abortarem.

Quem aborta, não o faz por diversão, mas por algum tipo de desespero. Imagino que o mais normal seja o medo de cuidar e educar uma criança. Medo de perder parte da sua vida fazendo isso, ou uma impossibilidade financeira. Já existem leis para impedir a prática, mas continua acontecendo. O processo é sinistro e cheio de riscos. Os procedimentos incluem remédios sem acompanhamento médico ou cirurgias clandestinas, que podem fazer muito mal à mulher.

Imaginem se essas mulheres pudessem colocar os filhos para adoção antes mesmo do nascimento, se elas tivessem garantias de que não precisarão cuidar das crianças, mas que alguém irá cuidar. Hoje, isso é simplesmente impossível. Leva anos até que uma criança possa ser adotada e quem quer "doar" também enfrenta problemas.

Conheço muitos que desejam adotar filhos, até mesmo pessoas que adotaram e não conseguem regularizar a situação. O país conta com um sistema imbecil, onde os candidatos a pai e mãe esperam por anos até conseguirem uma oportunidade e enquanto isso, os meninos e meninas vão crescendo em orfanatos precários e se tornam cada mais "inadotáveis" por causa da idade, educação e costumes.

Minha proposta é: Se você luta contra a legalização do aborto, pense bem e lute por uma solução mais efetiva. Esforce-se para que seja fácil adotar um filho. Faça lobby para uma lei diferente. Se as igrejas se juntassem para isso, encontrariam apoio de parte muito maior da população e as resistências seriam mínimas.

Se cada hospital tivesse uma lista local e as pessoas pudessem entrar em uma fila pequena, avaliar a mãe antes do bebê nascer, saber o sexo do feto e talvez, até mesmo pagar pelo parto com seu plano de saúde, a quantidade de abortos seria muito menor.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Aborto de Anencéfalos

O tema é delicado e não tenho como emitir a minha opinião e sustentá-la em duas linhas, mas vamos lá.

O nosso Estado é laico e cada pessoa tem o direito de acreditar na religião que quiser, mas o Estado não pode e não deve levar a questão religiosa em conta. Deve-se discutir a questão moral, mas é difícil separar isso da religião. O Estado Brasileiro considera morto qualquer pessoa sem atividade cerebral. A morte cerebral decreta a morte e os aparelhos podem ser desligados. Seguindo por essa linha, é fácil chegar uma conclusão.

Mas o anencéfalo vai viver pode viver com pequenas funções cerebrais por um ano, até dois. Existe um caso em que um deles viveu por esse tempo e até se mexia. Sim, existem esses casos, é fato. O que a lei está discutindo não é a questão se alguém é ou não a favor do aborto. Quem diz isso é hipócrita. Só psicopatas são a favor do aborto. Quem é a favor do aborto não tem filhos. A lei discute o direito da mãe de optar por gerir ou não um filho que vai morrer, no nascimento ou antes disso, mas que em 0,1% dos casos, vai viver até os dois anos de vida.

Existem mães e pais que serão felizes convivendo com essa vida por esse tempo curto, seja lá qual for o tipo de vida. Não nego que isso trará evolução espiritual e moral a esse indivíduo e aí, já entramos na parte regiliosa da coisa. E essa pessoa continuará tendo esse direito. A lei não a obrigará a fazer nada.

Por outro lado, existem aqueles que irão sofrer do momento da descoberta é o dia em que o seu filho morrer. E terão atitude tão negativa, farão tantas coisas ruins, que irão se degradar espiritualmente e sabe-se lá o tipo de trauma que isso causará na vida deles. De qualquer forma, para mim, cabe à pessoa decidir se vai ser feliz ou triste, se quer passar por isso ou não. Se Deus sabe o que faz e Ele acha que a pessoa deve passar por essa gestação, me arrisco a dizer que ela passará novamente pela experiência.

Nesse ponto, você já sabe como eu vou concluir e antes que você diga que sou a favor porque já nasci, vou lhe pedir que pense um pouco. Nem todo mundo é materialista, católico ou evângélico. Eu acredito em reencarnação. Isso quer dizer que, na minha cabeça, eu vou nascer novamente e posso vir a passar pela situação. Isso quer dizer também, que este bebê, que não nascerá agora, terá outra oportunidade de nascer em alguma mãe que queira parí-lo ou em uma situação em que os país nem saibam do problema.

Colocando a reencarnação na discussão, existem muitos outros pontos a serem discutidos e que seria impossível discutir aqui em apenas um post, mas se você quiser argumentar, pode ir pensando a este respeito e deixe o comentário e eu sei que existem pessoas com condições de fazê-lo.

Do ponto de vista materialista. A vida ali é inutil e não existe razão para obrigar alguém a sofrer. Porque a questão é essa. Obrigar ou não obrigar uma pessoa a ir até o fim da gestação e depois, a cuidar da criança nas condições em que ela estiver. Se você quer fazer ter um filho assim, que tenha, mas não obrigue ninguém a passar por isso. Deste ponto de vista material e do ponto de vista católico, você também não sabe a opinião de quem está nascendo, se isso vai trazer felicidade ou sofrimento para ele.

Analisando a questão do direito à vida, vou reescrever esse ponto como direito à vida humana. É disso que estamos falando. Antes de se falar em direito à vida, é perciso definir vida e dizer quais são esses direitos. Porquê do ponto de vista cerebral, esse anencéfalo terá muito menos condições do que um animal formado. Então, você está mesmo pensando no direito à vida?

Por fim, só para concluir. Sou contra o aborto, não pediria para a minha mulher abortar, mesmo o filho de outra pessoa. Já me manifestei contra o aborto em dois casos que tive a oportunidade de tomar conhecimento. Não sei se eu abortaria um anencéfalo, talvez não, é provável que eu aceitasse o aprendizado de ter um filho assim, mas mesmo assim, não sou egoísta a ponto de querer obrigar todas as pessoas a passaram por uma situação dessas. E se minha esposa optasse por não ter o filho, eu também aceitaria, porque o fardo maior, seria dela e não meu.

Logo, sou a favor da liberdade de escolha de cada um nesse caso, porque o fardo é de quem está passando pela situação.

Como eu disse, tenho muito mais coisas a dizer, mas acho que isso é suficiente para passar uma ideia.