quarta-feira, 11 de abril de 2012

Aborto de Anencéfalos

O tema é delicado e não tenho como emitir a minha opinião e sustentá-la em duas linhas, mas vamos lá.

O nosso Estado é laico e cada pessoa tem o direito de acreditar na religião que quiser, mas o Estado não pode e não deve levar a questão religiosa em conta. Deve-se discutir a questão moral, mas é difícil separar isso da religião. O Estado Brasileiro considera morto qualquer pessoa sem atividade cerebral. A morte cerebral decreta a morte e os aparelhos podem ser desligados. Seguindo por essa linha, é fácil chegar uma conclusão.

Mas o anencéfalo vai viver pode viver com pequenas funções cerebrais por um ano, até dois. Existe um caso em que um deles viveu por esse tempo e até se mexia. Sim, existem esses casos, é fato. O que a lei está discutindo não é a questão se alguém é ou não a favor do aborto. Quem diz isso é hipócrita. Só psicopatas são a favor do aborto. Quem é a favor do aborto não tem filhos. A lei discute o direito da mãe de optar por gerir ou não um filho que vai morrer, no nascimento ou antes disso, mas que em 0,1% dos casos, vai viver até os dois anos de vida.

Existem mães e pais que serão felizes convivendo com essa vida por esse tempo curto, seja lá qual for o tipo de vida. Não nego que isso trará evolução espiritual e moral a esse indivíduo e aí, já entramos na parte regiliosa da coisa. E essa pessoa continuará tendo esse direito. A lei não a obrigará a fazer nada.

Por outro lado, existem aqueles que irão sofrer do momento da descoberta é o dia em que o seu filho morrer. E terão atitude tão negativa, farão tantas coisas ruins, que irão se degradar espiritualmente e sabe-se lá o tipo de trauma que isso causará na vida deles. De qualquer forma, para mim, cabe à pessoa decidir se vai ser feliz ou triste, se quer passar por isso ou não. Se Deus sabe o que faz e Ele acha que a pessoa deve passar por essa gestação, me arrisco a dizer que ela passará novamente pela experiência.

Nesse ponto, você já sabe como eu vou concluir e antes que você diga que sou a favor porque já nasci, vou lhe pedir que pense um pouco. Nem todo mundo é materialista, católico ou evângélico. Eu acredito em reencarnação. Isso quer dizer que, na minha cabeça, eu vou nascer novamente e posso vir a passar pela situação. Isso quer dizer também, que este bebê, que não nascerá agora, terá outra oportunidade de nascer em alguma mãe que queira parí-lo ou em uma situação em que os país nem saibam do problema.

Colocando a reencarnação na discussão, existem muitos outros pontos a serem discutidos e que seria impossível discutir aqui em apenas um post, mas se você quiser argumentar, pode ir pensando a este respeito e deixe o comentário e eu sei que existem pessoas com condições de fazê-lo.

Do ponto de vista materialista. A vida ali é inutil e não existe razão para obrigar alguém a sofrer. Porque a questão é essa. Obrigar ou não obrigar uma pessoa a ir até o fim da gestação e depois, a cuidar da criança nas condições em que ela estiver. Se você quer fazer ter um filho assim, que tenha, mas não obrigue ninguém a passar por isso. Deste ponto de vista material e do ponto de vista católico, você também não sabe a opinião de quem está nascendo, se isso vai trazer felicidade ou sofrimento para ele.

Analisando a questão do direito à vida, vou reescrever esse ponto como direito à vida humana. É disso que estamos falando. Antes de se falar em direito à vida, é perciso definir vida e dizer quais são esses direitos. Porquê do ponto de vista cerebral, esse anencéfalo terá muito menos condições do que um animal formado. Então, você está mesmo pensando no direito à vida?

Por fim, só para concluir. Sou contra o aborto, não pediria para a minha mulher abortar, mesmo o filho de outra pessoa. Já me manifestei contra o aborto em dois casos que tive a oportunidade de tomar conhecimento. Não sei se eu abortaria um anencéfalo, talvez não, é provável que eu aceitasse o aprendizado de ter um filho assim, mas mesmo assim, não sou egoísta a ponto de querer obrigar todas as pessoas a passaram por uma situação dessas. E se minha esposa optasse por não ter o filho, eu também aceitaria, porque o fardo maior, seria dela e não meu.

Logo, sou a favor da liberdade de escolha de cada um nesse caso, porque o fardo é de quem está passando pela situação.

Como eu disse, tenho muito mais coisas a dizer, mas acho que isso é suficiente para passar uma ideia.