sexta-feira, 22 de maio de 2015

Reforma Íntima Sem Martírio - Sensacional

Reforma Íntima Sem Martírio, de Ermance Dufaux é um livro sem igual. Trata, sem rodeios, dos processos de melhoria íntima aos quais deveríamos nos submeter. A autora é direta e objetiva ao avaliar nossas falhas de caráter e as armadilhas mentais que criamos para fugir de nossas obrigações.

Me chamou muita atenção o estilo objetivo em relação às falhas no pensamento espírita atual. Tudo que está escrito, em qualquer lugar, é passível de interpretações e como em todas as doutrinas, distorções acontecem. Gostei desta obra justamente pela tentativa que Ermance fez de corrigi-las.

É o primeiro livro de Dufaux que leio. Dizem que ela expõe ideias contrárias à doutrina espírita. Nesta obra, não me pareceu o caso. Tenho preferência por autores que cobram mais atitude mental e moral positiva dos leitores, o que me pareceu ser executado com maestria. Tenho que ler outros para avaliar com mais precisão, mas a minha impressão é que ela enfrenta e descortina problemas criados pela nossa interpretação e vivência do espiritismo.

O objetivo da obra é a melhoria do ser humano através de correção das posturas mentais adotadas durante a vida, mas pelo menos um terço do livro foca especificamente na postura espírita diante da existência.

É um livro excelente, que recomendo. Estou certo que muitas informações me passaram despercebidas, dada a riqueza do material. Então, daqui a um tempo, lerei novamente para captar novas informações.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Recordações do passado

"Somos o nosso próprio passado. Dormem soterradas nos tenebrosos porões do inconsciente as razões das nossas angústias de hoje, tanto quanto estão em nós as conquistas positivas, que lutam por consolidar­-se na complexidade da nossa psicologia, tentando suplantar os apelos negativos que insistem em infelicitar-nos. Estamos a caminho da redenção quando damos apoio consciente às tendências do bem em nós, quando estimulamos, com as nossas lágrimas, e cultivamos,com amor e sofrimento, as sementeiras da paz.

Se, ao contrário, nos deixamos dominar pelas sombras que trazemos no íntimo, paramos no tempo, enquanto se aprofundam em nós as raízes do desequilíbrio, no terreno fértil das paixões que julgamos tragicamente indomáveis, quando são, simplesmente, indomadas. É preciso saber que cabe a nós — e a ninguém mais — domá­-las; mas, enquanto nos apraz o erro, todo o nosso esforço é posto na tarefa inglória de manter soltas as paixões, e presas as recordações.

Para o atormentado pelos seus desequilíbrios, o futuro não importa, o passado não interessa e o presente é a única realidade que aceitam e manipulam livremente, segundo os impulsos do momento.
Comprimidos numa estreita faixa de presente, que procuram viver com toda a intensidade possível, entre um futuro que ainda não existe e um passado que procuram ignorar, esquecem­-se de que não poderão, jamais, fugir às suas responsabilidades e compromissos.

Quando os advertimos dessas incongruências funestas, respondem­-nos que não estão preocupados com o futuro, dado que, ao chegar a vez de sofrerem pelos seus erros, saberão fazê­-lo com dignidade e coragem. Esperam, naturalmente, ser tão valentes perante a dor própria, quanto o são perante a alheia. Trágico e doloroso engano é esse; mas, que se há de fazer? Temos a impenitente propensão para rejeitar como inválida a experiência alheia.

Quanto mais arrogante e belicoso o companheiro desarvorado, maior a dor que experimenta ao despertar para as realidades que procurou ignorar por tanto tempo. A dor dos grandes criminosos é terrível, comovedora, trágica, desesperada, nesses momentos dramáticos em que o Espírito se acha completamente aturdido ante a enormidade de seus erros.

Para abrir diante dele uma janela sobre si mesmo, a chave mais importante de que dispõe o doutrinador consiste em levá­-lo a contemplar seu próprio passado, fortemente protegido pelos mecanismos do esquecimento deliberado. Talvez por isso escreveu Sholem Asch, na abertura de “O Nazareno”: “Não o poder de recordar, e sim o poder de esquecer, constitui uma das condições necessárias à nossa existência.”
"
Este é um trecho do fantástico livro Diálogo com as Sombras, de Hermínio Miranda. Que aplica-se não só ao diálogo com espíritos decaídos, mas também a nós, seres encarnados, vivendo no planeta, já que usamos os mesmos mecanismos em nossas vidas cotidianas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Nossa Conduta - Mensagem da Espiritualidade

"De acordo com os dias atuais, são enviados protetores aos planetas. Aparentemente, estamos sem proteção, mas quando elevamos os pensamentos podemos perceber as energias edificantes. Quem pode enxergar, vê um quadro lindo de protetores tentando tocar o coração da humanidade.

O trabalho é árduo devido ao tanto de dispersões que existem na atualidade. As músicas não ajudam na elevação de sintonia, as roupas não respeitam o próprio corpo que vestem, o alimento intoxica quem o ingeri. Até a água estamos conseguindo contaminar.

Precisamos mudar a nossa conduta. Precisamos elevar a sintonia do nosso pensamento e de tudo que nos circunda. Temos que contagiar o próximo com amor, para assim o pensamento dele também se elevar, facilitando o trabalho das equipes protetoras.

Irmãos, não percam tempo com futilidades. Aumentem a vibração que os circunda. Só assim conseguiremos atingir a elevação que o planeta está almejando.

Bendito seja Jesus.
Graças à Deus."

sábado, 20 de dezembro de 2014

Livro - A Face Oculta da Medicina

Depois de assistir à palestra abaixo, de Paulo Cesar Fructuoso no Youtube, decidimos comprar o livro a Face Oculta da Medicina para ler. Muito do que está escrito é dito durante a apresentação, mas mesmo assim, vale à pena a leitura.

A obra, muito bem escrita, adentra no mundo do fantástico, mesmo para aqueles mais acostumados com a Doutrina Espírita. Relata os fenômenos mais raros dentro do Espiritismo, eventos que necessitam de condições especialíssimas para acontecer.

Ela nos mostra que a nossa ciência ainda tem muito a avançar e se os cientistas e médicos se dessem ao trabalho de investigar mais a fundo o que vem sendo revelado no meio espiritual, talvez a humanidade alcançasse melhorias mais rápidas nos tratamentos das doenças, mas a postura normalmente é outra, é de ceticismo e sem investigação alguma. O atitude é apenas de descrédito.



Esses escritos também nos mostram o quanto os pensamentos e sentimentos podem afetar nossas vidas e o quanto nossas atitudes em vidas anteriores podem nos fazer sofrer. Eu ficaria feliz se todos os médicos lessem, nem que fosse para que se esforçassem em provar que tudo o que foi relatado na casa de Frei Luiz está errado, que não é real. Porque na busca pela comprovação da negação, encontrariam a verdade.

Achei a publicação muito interessante. Muitos dos fenômenos eu nunca presenciei, mas outros, de curas de doenças graves através do trabalho de espíritos, mesmo depois de os médicos terem dito que as pessoas não tinham mais chance, isso já. O curioso é que quando acontece, costuma-se dizer que foi um erro no exame médico. 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

As Cobranças da Vida

Acreditar em uma realidade, em uma combinação de eventos, em uma teoria, não as torna reais. Mesmo que você divulgue para quantas pessoas puder, mesmo que faça muitos outros acreditarem. Nossa mente é muito capaz de criar soluções alternativas para fugirmos da realidade que nos apresenta. Normalmente isso acontece para tirarmos a nossa culpa e colocarmos em outras pessoas, mas lá no fundo, bem guardado, sabemos das mentiras que contamos, apenas tentamos esconder a verdade de nós mesmos porque nos faz sofrer.

E mais fácil odiar o próximo e culpá-lo pelos nossos fracassos e sofrimentos do que a nós mesmos. A dor é menor. Esse comportamento denota nossa incapacidade em assumir a responsabilidade pelos atos que praticamos.

As vezes a vida nos coloca em situações complicadas e temos a opção de enfrentar, de lutar contra, de ultrapassar as dificuldade, mas fazemos isso quando estamos conscientes e alertas, ciente do que é real e do que não é. Nem sempre a situação é de luta, pode ser um caso de resignação, de aceitação pelos erros do passado. Pode ser a vida cobrando aquilo que fizeste de errado no passado, mas que a justiça dos homens deixou passar.

Quando a vida cobra a reparação, brigar, espernear, gritar, só faz piorar, a dor só aumenta, as consequências só pioram. Com a nossa mãe, com o nosso pai, com o chefe, podemos ter essas atitudes, mas neste caso não dá. É como se ela apertasse mais e mais. A dor aumentará e continuará aumentando enquanto a postura negativa for mantida, até o dia em que você se der conta da realidade e do mal que fez. Quando perceber vai precisar reparar os erros cometidos. Começa aí uma nova jornada.

Durante o resgate das faltas pode ser que a dor aumente ainda um pouco mais. Isso é para ver se você realmente entendeu os danos causados pelas suas ações e para que possa repará-los. Só depois a dor será aliviada e a vida seguirá seu curso.

Muitos optam por terminar a própria existência terrena enquanto sofrem, sempre colocando a culpa em outros seres. Mal sabem que esse é o maior ato de insubordinação que podem cometer e que ao invés de diminuir, o sofrimento será amplificado e por muito mais tempo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Doutrina da Fuga Mental

Esses são trechos do livro Diálogo com as Sobras, de Hermínio Miranda, que trata do processo mental de fuga, que acomete tanto os seres encarnados quanto os desencarnados. Vou me abster de comentar porque acredito que as palavras do autor dizem tudo.

"A contínua observação desses métodos, ao longo dos anos, vai desenhando para nós um perfil mais nítido dos segredos e mistérios do transviamento moral. As atitudes agrupam­-se e, em cada uma delas, repetem­-se os gestos, as palavras, os impulsos, as motivações. No entanto, guardam todas, e cada uma delas, a sua individualidade e as suas surpresas. Não sei como explicar esse jogo, entre o inédito e o esperado.

Parece que as posições são basicamente as mesmas, mas, dentro delas, cada um toma o caminho que lhe impõem os seus fantasmas interiores. Em suma: há certas constantes que se repetem, que se cristalizam, que constituem modelos, padrões, ou o que seja, dentro dos quais a individualidade de cada um se preserva, mantendo certa autonomia. É como se, num conceito amplo de determinismo difuso, eles agissem dentro de um amplo raio de livre escolha.

Uma das constantes, identificadas nesses seres que perseguem, que dominam, que espalham a dor, é a fuga. Fogem de si mesmos, das suas próprias dores, das suas angústias e frustrações. Sejam quais forem as justificativas que invoquem para as suas atitudes — quando as apresentam — o mecanismo é sempre o mesmo: procuram esquecer seus próprios crimes e aflições, adiar o encontro com a verdade, anestesiar-­se na insensibilidade, pelo cruel e desumano processo de acostumar­-se à fria contemplação da dor alheia.

É preciso entendê­-los bem. Não são monstros irrecuperáveis, que merecem o santo horror e a condenação eterna. Não são seres desprezíveis, que tenhamos de abandonar à sua própria sorte, para sempre. Temos que nos aproximar deles com sentimento de amor fraterno e de compreensão, não com nojo, como se fôssemos os redimidos, e eles os réprobos perdidos em seus crimes. Temos de entender que estão em fuga.

A couraça de que se revestem é mais frágil do que parece, e não é impenetrável aos fluídos sutis do amor. Defendem-­se da dor, atacando, agredindo, maltratando. Tentam cicatrizar suas próprias feridas abrindo ferimentos em outros corações. No fundo, sabem que podem somente adiar o reencontro com as suas realidades interiores, mas não ignorá-­las para sempre.

Quantos deles nos têm dito que sabem muito bem disso, mas que saberão “ser homens ”, quando chegar, para eles também, a cobrança! Enquanto não chega, prosseguem suas tarefas abomináveis. Sabem de suas responsabilidades, e imaginam, com bastante precisão, o que os espera um dia, quando “caírem”.

Por isso mesmo é que resistem, enquanto podem, buscando apoio nas organizações a que pertencem, pois essa é a lei a que se apegam: a lei da solidariedade incondicional, que os protege mutuamente do dia do despertamento.

Essa é a doutrina da fuga.

Por outro lado, quem foge precisa de esconderijos para ocultar­-se. No caso, ocultar­-se de si mesmo. São muitos, esses refúgios. O principal deles talvez seja o esquecimento do passado. Este recurso é básico, essencial mesmo, para aquele que precisa, perante sua própria consciência, justificar-se.

Se ele voltar sobre seus passos, ao seu pretérito, irá descobrir que sofreu aquele ferimento exatamente porque, antes, causou dor semelhante a alguém, faltando, assim, à lei universal da fraternidade. O esquecimento o ajuda a manter acesa a chama rubra do ódio e, portanto, a da vingança. É vítima “inocente” de um crime inominável. Logo ele, que sempre foi bom e correto, que nenhum mal fez a ninguém..."

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Mediunidade: Dar Vazão à Comunicação ou Ajudar mais Rapidamente?

No início das comunicações mediúnicas por nosso intermédio, tudo é muito novo e confuso, existe a vontade de permitir a comunicação o mais fielmente possível. Temos aquela vontade de conseguir dar passividade ao irmão que deseja se comunicar. Nesse momento em que iniciamos, queremos que seja intenso. Esse sentimento me colocou em conflitos em certas ocasiões.

A configuração do grupo de educação mediúnica e a minha posição na mesa fazem com que eu seja um dos últimos médiuns a ser interpelado por qualquer um dos dialogadores. Me parece haver mais psicofônicos do que gente para falar com eles. Então, quando as comunicações começam, tenho certo tempo para perceber as intenções daqueles que vêm falar.

O que uma pessoa faz quando está esperando a sua vez de falar em um ambiente qualquer? Ela repete mentalmente as palavras deseja expressar. Acontece o mesmo com o comunicante. O espírito fica repetindo as mesmas ideias, aquilo que ele deseja colocar para fora. É exatamente o que eu faço quando tenho ansiedade em falar e não posso. Diante disso, pensei em fazer um diálogo mental com ele. O que aconteceu foi que, em alguns casos, isso já resolveu a questão, ou diminui muito o problema.

Em determinadas ocasiões, quando o dialogador chegou, não havia mais comunicação a ser feita. Em outros casos, havia comunicação, mas o ímpeto do comunicante já não era o mesmo, uma vez que já havíamos conversado e nossas energias já haviam se misturado. Ou seja, ele estava mais equilibrado.

Lendo o livro Qualidade na Prática Mediúnica, do Projeto Manoel Philomeno de Miranda, identifiquei passagens onde somos instruídos a não interferir, a deixar a comunicação fluir da melhor forma possível. Diz-se que o médium deve ser absolutamente passivo, mas a pouca experiência que tenho não me permite concordar com isso.

Venho notando que, as vezes, o paciente não quer fazer determinada coisa que seria bom para ele. Quase como a pessoa que está emburrada com alguma situação, que quer ceder, mas não cede. Ela fica negando, mas está quase sendo convencida do contrário. E nesse momento, o médium está mentalmente ligado ao espírito e tem uma escolha: dar vazão à negação do comunicante e se opor à sugestão do dialogador ou aceitá-la. É como o processo inverso da obsessão.

Na situação da pessoa emburrada. Ela quer ceder, mas algo a diz para não ceder e ela não cede. Algo dentro dela, que pode ser uma outra mente, atua. Aqui funciona da mesma forma, a mente do médium consente e o irmão conectado acaba sendo influenciado positivamente.

No grupo, a orientação que temos é para que isso seja feito, já que a ideia é ajudar os que ali estão para serem ajudados. Só que uma parte de mim, médium sem experiência, gostaria de deixar fluir o desejo do outro de forma que houvesse maior intensidade no processo de comunicação. Aí fica o conflito entre afirmar a mediunidade através das experiências mais fortes ou ajudar os colegas mais rapidamente e liberar o espaço para outro que esteja precisando.

Para terminar, não digo que a situação seja sempre fácil assim, mas nos grupos de educação da mediunidade são levados os espíritos mais tranquilos, aqueles que já estão em processo de tratamento e próximos de uma melhoria.