sábado, 6 de setembro de 2014

A Intuição e a Mediunidade

Falar ou não falar sobre mediunidade neste blog? Esse foi uma decisão complexa, mas achei melhor colocar aqui do que criar um blog somente para o novo assunto. Talvez alguns fiquem assustados, talvez desvirtue um pouco o propósito do blog, mas fato é que preciso falar a respeito do assunto e começo tentando expor a perspectiva que tenho do relacionamento da intuição com a mediunidade. Claro que quando o assunto for esse, a Doutrina Espírita será tomada como premissa.

Alguns nascem com dons ostensivos, veem, ouvem coisas e conseguem distingui-las da realidade material com facilidade, mas e os outros? A maioria? Quando somos alunos, aprendendo essa doutrina, é comum acreditarmos que não temos mediunidade, embora ouçamos sempre que todos os seres humanos possuem esse dom em algum grau. Em uma turma grande, se você perguntar quem é médium, dois ou três vão levantar a mão. Alguns silenciarão por medo de julgamento: "Ah, ele se acha o médium", mas mesmo considerando esses, serão poucos.

Todos os alunos são convidados à educação desta habilidade natural ao termino do curso, que no meu caso, foi de 3 anos e meio, mas a maioria duvida da possibilidade de concretização da comunicação com o outro plano, justamente por nunca ter sentido nada e comigo não foi diferente no início. A verdade é que todos sempre sentimos muitas coisas, sempre escutamos muitas coisas, mas nunca nos damos conta disso.

Nos falta reflexão, nos falta autoconhecimento, nos falta saber quem nós somos de verdade. Nossa sociedade e cultura não trabalham esses valores com frequência, mas a realidade é que nossa mente é bombardeada o tempo inteiro com pensamentos que chegam de diversos locais. Tanto de encarnados, como de desencarnados. O ordinário é acharmos que esses pensamentos são sempre nossos. Para piorar, fomos e ainda somos criados achando que nossa mente é domínio impenetrável, mas isso é ilusão.

Quando passamos a nos conhecer em profundidade, começamos a identificar que alguns pensamentos simplesmente não fazem sentido em um determinado contexto. Melhor explicando, eles fazem sentido, o que parece ser coerente é que eles tenham saído de nós, ou então, se chocam com ideias que temos, vão de encontro aos nossos ideais. Existem ainda aqueles pensamentos que nos alertam, nos protegem, nos tiram de situações perigosas ou constrangedoras. Esses são o que chamamos de intuição, que para mim, numa opinião pessoal e intransferível, é um ótimo link entre o estudante e a mediunidade de fato.

Dando atenção a esses pensamentos, percebendo-os no instante em que chegam é que você vai se treinar para começar a identificar o que é seu e o que não é seu. Para isso, é necessário um longo caminho de reflexão consigo mesmo, é preciso se conhecer mais e mais. Somente então você terá a oportunidade de diferenciar o que vem de onde. Aí poderá começar o seu aprendizado na mediunidade prática, pelo menos foi assim que começou o meu.