segunda-feira, 29 de abril de 2013

O Espiritismo Possui a Bíblia como Fundamento?

Pouco tempo atrás, um colega de trabalho, adventista, me deu um livro intitulado "Por que Não Sou Mais Espírita". E eu, claro, fui ler, afinal "Fé inabalável é aquela, capaz de enfrentar a razão, em qualquer época da humanidade".

A argumentação base do autor do livro é: o Espiritismo (Kardecista) possui como fundamento os ensinos bíblicos e portanto, não pode negá-los. Depois ele segue mostrando pontos em que a doutrina divulgada por Kardec está em contradição com o "livro sagrado". O interessante é: antes de afirmar tudo isso, ele se coloca como profundo conhecedor e doutrinador espírita para poder sustentar a própria tese.

Eu discordo completamente da premissa usada como base da argumentação e provo o que estou dizendo, mesmo sem levar em conta que a própria Bíblia contraria a sí mesma e à razão em diversos momentos.

O primeiro livro divulgado por Kardec foi "O Livro dos Espíritos", depois dele, veio "O Livro dos Médiuns", só então surgiu o "Evangélho Segundo o Espiritismo" e mais tarde, "O Céu e o Inferno" e "A Gênese".

Pela ordem de publicação, fica claro que a base não pode ser a Bíblia. Se fosse, o primeiro livro trataria sobre a interpretação que a doutrina teria para o Evangélho do Cristo. Se a premissa e a tese propostas fossme verdadeiras, o nome do livro também não seria "O Evangélho Segundo o Espiritismo", mas algo como "A Bíblia Segundo o Espiristimo".

Existe diferença entre a Bíblia e o Evangélho de Jesus. Aquela é maior e inclui este, mas sem se limitar a ele. Por fim, os últimos dois livros que citei como base da doutrina, consomem muitas páginas descontruíndo inúmeras idéias católicas e evangélicas, contrariam a Bíblia em diversos pontos.

"O Evangélho Segundo o Espiritismo" trata apenas dos ensinamentos morais de Jesus e nada além disso. Para os espíritas, a moral do cristo é inabalável. Isso sim é importante. Isso sim é fundamento, não a publicação inteiro.

Bom número de espíritas conhecem o livro cristão a fundo, melhor do que inúmeros católicos ou evangélicos e o respeitam bastante. É utilizado por muitios como guia em alguns aspectos, mas não é considerado uma verdade absoluta. 

Kardec dizia que o bom espírita é aquele que estuda, que se esforça, que aprende e que a doutrina aceita sim críticas, mas daqueles que conheçam o Espiritísmo de forma tão profunda quanto o espírita mais dedicado.

Eu mesmo fazia muitas críticas à doutrina dos espíritos, falava muitas coisas das quais não possuia informação suficiente. Estudando, ví que o meu entendimento era completamente distorcido e precário, que nem chegava a arranhar a superfície do assunto. A profundidade é absurda.

E uma coisa que aprendi e sempre repito para quem conversa comigo sobre o tema é: "A resposta para a sua dúvida está no próximo livro."