domingo, 3 de abril de 2011

Situação Curiosa - Doação a um pedinte

Eu e minha esposa estavamos saindo da Comunhão Espírita de Brasília e como é de costume, sempre vemos pedintes em frente a casa, afinal, eles sabem que existe maior tendência à doação nestes locais.

Nesse dia havia duas pessoas sentadas em cadeira de rodas bem próximas. Um deles eu já conhecia de outros dias. Ele estava logo junto ao portão e pedia dinheiro como sempre faz, falando bem baixinho. A uns 3 metros dele, próximo da rua, havia um outro cadeirante (sabe-se lá se eles são mesmo cadeirantes, mas estavam utilizando as cadeiras naquele momento). Os dois são jovens, não devem ter passado dos 35 e estavam vestidos normalmente.

Mas o segundo cadeirante não estava exatamente pedindo dinheiro. Ele estava vendendo pano de pratos. E quando falava, dava para entender o que ele dizia. O que já é algo melhor do que pedir. Afinal, por mais que esteja implicito que ele está te pedindo dinheiro, pelo menos configura um pouco como uma situação de trabalho. Ele está vendendo e pedindo ao mesmo tempo.

Até aí, tudo normal. O estranho foi: no grupo que saiu comigo, algumas pessoas deram dinheiro, mas todos que fizeram isso deram ao pedinte e não ao outro.. Ninguém recompensou o que estava fazendo um mínimo de esforço. O melhor seria incentivar o que está pedindo a fazer algo além de pedir, mas fizemos justamente o contrário.

Podem existir outros fatores que fizeram com que as pessoas dessem ao pedinte e não ao que estava vendendo os panos de prato, mas eu imagino o que o segundo rapaz deve ter pensado. Provavelmente ele pensou: Pra quê vender? Não seria melhor pedir?

Normalmente, deixamos as doações dentro da casa espírita, que seleciona famílias necessitadas e distribui doações para essas pessoas por até 6 meses para evitar dependência. Antes das doações, uma visita é feita na casa de cada família. Isso evita que pessoas fiquem apenas vivendo de doações e evitando o trabalho. A idéia da doutrina é que todos devem se esforçar para conseguir as coisas.