sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cocô de Cavalo

Um homem estacionou seu carro próximo ao local do casamento de seu melhor amigo, ele seria um dos padrinhos e estava de terno e sapatos brancos. Bem próximo da igreja ele sentiu um cheiro ruim e olhou para os lados para ver se descobria o que era.

Poucos segundos depois. bluuurrrrggg... Pisou em um super cocô de cavalo, escorregou e caiu ajoelhado em outro monte de cocô. Sujou o sapato e a calça com bosta de animal e daquelas bem fedorentas mesmo. Vocês sabem como é, os cavalos vão cagando e andando e é sempre muita coisa. Furioso, ele foi ao banheiro, não conseguiu se lavar e não pode ser o padrinho. Ele foi para casa muito triste.

Nas semanas seguintes este homem começou a ficar neurótico, não conseguia sair de casa e andar na rua sem olhar atentamente para o chão. Em uma dessas vezes ele bateu com a cabeça em uma placa que estava pendurada na parede e não apoiada no chão. Foi para o hospital e tomou 6 pontos para fechar o corte na cabeça.

Hoje em dia ele não sai mais de casa a menos que seja para coisas muito, muito importantes e mesmo assim, pede para alguém dirigir seu carro e o deixá-lo bem na entrada de seu destino. Assim ele não correr o risco de pisar em bosta de animal. Sem esse risco, ele também não precisa se preocupar em olhar as placas na rua, porque sabe que não tem cocô de cavalo no chão.

Até hoje ele diz que é tudo culpa daquele cavalo. Por causa do cavalo ele nunca mais saiu para passear na rua, ou andar de bicicleta. Nunca mais foi a um parque, deixou de fazer trilhas, não vai a cachoeiras ou locais abertos. Só vai a restaurantes, casa dos amigos ou shoppings, mas sempre assim daquela forma, alguém precisa deixá-lo na porta. Em seu prédio ele fez um pedido especial para reservar a vaga mais próxima da portaria e conseguiu.

Sempre que perguntamos alguma coisa a respeito destes problemas ele lamenta o ocorrido. Sempre diz: "Porque aquele cavalo tinha que ter passado por ali naquele dia? Não podia ser em outro dia? Se não fosse aquele cavalo cagão, estaria tudo bem hoje. É tudo culpa daquele maldito cavalo"

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A culpa não é do cavalo. Sim, o bicho cagou e todos eles fazem isso. O cara não olhou, pisou e perdeu o casamento do amigo, mas daí para frente o cavalo não tem mais nada com isso. É tudo um processo da mente daquela pessoa presa ao acontecimento de um dia e isso a impede de viver plenamente os outros dias.

É preciso entender que existe grande chance de voltar a pisar em bosta de cavalo um outro dia. É bem provável que isso volte acontecer, mas todo mundo pisa em cocô um dia. Alguns vão se limpar e lidar com isso muito bem, outros vão passar o resto da vida dizendo que foi o maldito cavalo.