terça-feira, 28 de outubro de 2014

Mediunidade: Dar Vazão à Comunicação ou Ajudar mais Rapidamente?

No início das comunicações mediúnicas por nosso intermédio, tudo é muito novo e confuso, existe a vontade de permitir a comunicação o mais fielmente possível. Temos aquela vontade de conseguir dar passividade ao irmão que deseja se comunicar. Nesse momento em que iniciamos, queremos que seja intenso. Esse sentimento me colocou em conflitos em certas ocasiões.

A configuração do grupo de educação mediúnica e a minha posição na mesa fazem com que eu seja um dos últimos médiuns a ser interpelado por qualquer um dos dialogadores. Me parece haver mais psicofônicos do que gente para falar com eles. Então, quando as comunicações começam, tenho certo tempo para perceber as intenções daqueles que vêm falar.

O que uma pessoa faz quando está esperando a sua vez de falar em um ambiente qualquer? Ela repete mentalmente as palavras deseja expressar. Acontece o mesmo com o comunicante. O espírito fica repetindo as mesmas ideias, aquilo que ele deseja colocar para fora. É exatamente o que eu faço quando tenho ansiedade em falar e não posso. Diante disso, pensei em fazer um diálogo mental com ele. O que aconteceu foi que, em alguns casos, isso já resolveu a questão, ou diminui muito o problema.

Em determinadas ocasiões, quando o dialogador chegou, não havia mais comunicação a ser feita. Em outros casos, havia comunicação, mas o ímpeto do comunicante já não era o mesmo, uma vez que já havíamos conversado e nossas energias já haviam se misturado. Ou seja, ele estava mais equilibrado.

Lendo o livro Qualidade na Prática Mediúnica, do Projeto Manoel Philomeno de Miranda, identifiquei passagens onde somos instruídos a não interferir, a deixar a comunicação fluir da melhor forma possível. Diz-se que o médium deve ser absolutamente passivo, mas a pouca experiência que tenho não me permite concordar com isso.

Venho notando que, as vezes, o paciente não quer fazer determinada coisa que seria bom para ele. Quase como a pessoa que está emburrada com alguma situação, que quer ceder, mas não cede. Ela fica negando, mas está quase sendo convencida do contrário. E nesse momento, o médium está mentalmente ligado ao espírito e tem uma escolha: dar vazão à negação do comunicante e se opor à sugestão do dialogador ou aceitá-la. É como o processo inverso da obsessão.

Na situação da pessoa emburrada. Ela quer ceder, mas algo a diz para não ceder e ela não cede. Algo dentro dela, que pode ser uma outra mente, atua. Aqui funciona da mesma forma, a mente do médium consente e o irmão conectado acaba sendo influenciado positivamente.

No grupo, a orientação que temos é para que isso seja feito, já que a ideia é ajudar os que ali estão para serem ajudados. Só que uma parte de mim, médium sem experiência, gostaria de deixar fluir o desejo do outro de forma que houvesse maior intensidade no processo de comunicação. Aí fica o conflito entre afirmar a mediunidade através das experiências mais fortes ou ajudar os colegas mais rapidamente e liberar o espaço para outro que esteja precisando.

Para terminar, não digo que a situação seja sempre fácil assim, mas nos grupos de educação da mediunidade são levados os espíritos mais tranquilos, aqueles que já estão em processo de tratamento e próximos de uma melhoria.