sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Sexo e Obsessão

Conversando com uma amiga e orientadora por causa da realidade próxima a mim, ela me sugeriu a leitura deste livro para que eu pudesse compreender um pouco melhor os casos de obsessão sexual, principalmente aqueles relacionados à pedofilia.

Sexo e Obsessão dedica mais da metade de suas páginas para tratar o caso de um jovem padre pedófilo, que foi abusado por seu pai e repete este comportamento doentio em crianças, inclusive na escola onde leciona.

Eu esperava um livro que tratasse mais do processo de degeneração dessas pessoas, que falasse um pouco mais do processo mental e dos sentimentos envolvidos nessa atitude hedionda para que eu pudesse entender melhor como funciona a mente de um indivíduo desses, mas a abordagem é outra, já mostra a mente degenerada e o que ela busca para continuar tendo aquelas sensações ou a relação do perturbado com os seres que atuam no plano espiritual.

A obra atribui o comportamento do Padre Mauro ao seu pai e ao seu comportamento sexual depravado que teve em vidas anteriores, quando vivia na França. Apesar de algumas frases deixarem bem claro que ter sido molestado não é desculpa para repetir o ato com um menino de oito anos e de várias afirmações colocando o criminoso como ofensor, muitas páginas são dedicadas a vitimizá-lo. O que, sinceramente, não me agrada.

O foco do livro é o fim da vida doentia do clérigo e a sua transformação em um homem de bem, sem fosse necessária a morte. Isso parece ser um caso bem raro. Aparentemente, o normal é este comportamento persistir por toda a vida. E o livro não é explícito neste ponto e para piorar, no caso citado, ainda defende que os acontecimentos sejam ocultados, um posicionamento perigoso. Os que cometem esse tipo de crime só podem voltar a molestar crianças por falta de denúncia e investigação. De outra forma, seriam impedidos.


Pode ser que, no caso do livro, a melhor opção fosse realmente evitar a divulgação. O crime específico não chegou a acontecer e, em tese, os espíritos sabiam que havia vontade de mudança interna no agressor, mas antes de ser descoberto, ele já havia feito a mesma coisa com muitos outros. Inúmeros molestadores, mesmo depois que são descobertos, continuam negando, fazendo pose e permanecem com suas atividades hediondas.

A história do padre é o gancho para algo maior, a vida do Marquês de Sade e suas perversões sexuais. A obra traz relatos interessantes do comportamento dessas almas no plano espiritual e também dos encarnados que possuem comportamento sexual obsessivo, durante o sono.

Tem gente que acha que a moral é um conjunto de regras que varia de acordo com a sociedade. O que é moralmente aceito hoje pode ter sido aceito ou não em um dia ou em outra sociedade. Sim, essa é a definição de moral, mas pela doutrina espírita, existe uma moral absoluta, que não é reprovada em época alguma ou por sociedade alguma e não é difícil imaginar quais seriam esses comportamentos.

Ao contrário, não há como dizer que atitudes as do Padre tenham sido aceitas por uma um grupo de pessoas que possa ser chamado de sociedade. Muitos usam a constatação da variação da moral humana apenas para justificar os próprios atos. Mas o fato da sociedade variar sua moral conforme a época não quer dizer que não exista um conjunto atemporal de bons costumes a serem seguidos.

No final das contas, a obra de Manoel Philomeno de Miranda e Divaldo Franco mostra que a busca incessante pelo prazer leva as pessoas a comportamentos cada vez mais perversos. Conforme se acostumam com isso vão buscando novas e novas formas. Até que a perversão chega a um ponto de difícil retorno, que gera muitos e muitos anos de sofrimento.